Encontro com o sagrado

Poucas experiências são tão místicas quanto acompanhar o Círio de Nazaré em Belém-PA. A cidade fica mais única do que nunca: a multidão de promesseiros, voluntários, trabalhadores e turistas se mistura às inúmeras imagens da Virgem de Nazaré, aos cartazes que divulgam a procissão, às luzes das ruas que iluminam os caminhos noturnos, aos grupos de carimbó que não se cansam de fazer festa e ao cheiro da maniçoba sendo cozida; que anuncia o grande encontro que está por vir.
O Círio é intenso, extenso, vasto como a Amazônia. A massa de fiéis acompanha a imagem da amada Naza por muitos quilômetros: caminhando, navegando, pedalando, dirigindo e flutuando. Porque as pessoas, em transe, parecem flutuar nesta imensidão de fé. Choram de emoção com a passagem da santa e são literalmente arrastadas pela multidão compacta da corda que, mais do que levar  a santa para o seu destino, mostra a força de todo um povo.
O Círio é um encontro. De histórias, sacrifícios, expressões. São milhões de olhos que podem se fechar, mas não deixam de olhar. Se os olhos são a janela da alma, é através deles que os fiéis contemplam, choram, rezam, amam e celebram.
É possível explicá-lo? Não parece ser possível desvendar algo tão grandioso. O papel das imagens é o de nos fazer sentir este momento tão único: se no Pará - e em toda Amazônia - os rios são ruas, cenários cheios de vida e uma paisagem que também é passagem; as avenidas belemenses durante o Círio se transformam em mar; onde uma infinidade de almas irá navegar nas suas águas de chuva, suor e choro. Nâo para chegar a algum lugar, mas para ir. Com muita fé.
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